Tipo de vinculação ansioso: sinais e o que fazer
A proximidade é muito importante para ti, e com ela vem o medo de seres abandonado(a).
A vinculação ansiosa não é «amar demais» nem fraqueza de carácter. É uma forma habitual de manter a proximidade, e é possível aprender a lidar com ela com mais cuidado.
Sinais
O traço principal do tipo ansioso é uma sensibilidade aumentada a qualquer sinal de distância. O par respondeu à mensagem com um curto «ok» em vez do habitual emoji, e os pensamentos já andam à volta da pergunta: «Aconteceu alguma coisa? Escrevi alguma coisa errada?»
Muitas vezes apetece verificar o telemóvel – se já chegou resposta, se a pessoa esteve online, porque é que a mensagem foi lida e não há resposta. Não é curiosidade, é uma tentativa de baixar uma tensão difícil de suportar.
As confirmações são muito importantes: as palavras «amo-te», planos em comum para o futuro, um convite para conhecer os amigos. Quando faltam durante muito tempo, é fácil concluir que os sentimentos estão a arrefecer.
As discussões podem ser intensas. Um pequeno desacordo por causa de um jantar cancelado pode transformar-se numa longa conversa sobre se és importante para o par de todo. E se, nesse momento, o par se fecha, a ansiedade só aumenta.
Não raras vezes, a pessoa com tipo ansioso adapta-se: aceita planos que não lhe dão jeito e cala os seus desejos para não afastar o par.
De onde vem
O tipo de vinculação forma-se nos primeiros anos de vida, quando a criança aprende até que ponto pode contar com as pessoas próximas. O estilo ansioso forma-se muitas vezes quando o cuidado era imprevisível: umas vezes os adultos respondiam com carinho, outras estavam ocupados, cansados ou irritados.
Numa situação assim, a criança aprende a reforçar os sinais: chamar mais alto, ficar mais tempo por perto, estar mais atenta ao humor dos adultos. É uma estratégia sensata – ajudava mesmo a obter atenção.
Na idade adulta, a mesma estratégia continua a funcionar nas relações. A atenção aos pormenores, a vontade de estar perto, a reação rápida à distância – tudo isto é eco de experiências antigas.
Também conta o que aconteceu depois: separações dolorosas, traições, relações em que o par ora se aproximava, ora desaparecia. É importante lembrar: não se trata de culpa de ninguém, mas da forma como a mente se adaptou às circunstâncias.
Pontos fortes
O tipo ansioso não é só preocupação. Por trás dele há qualidades muito valiosas nas relações próximas.
As pessoas com este estilo costumam perceber com sensibilidade o estado de espírito do par. Vês antes dos outros que a pessoa está cansada ou triste, e estás pronto(a) para apoiar – fazer o jantar, propor um passeio ou simplesmente ouvir.
Envolves-te a sério na relação. Lembras-te das datas importantes, interessas-te pela vida de quem te é próximo, investes nos planos em comum. Para muitos pares, isto é a sensação de serem verdadeiramente cuidados.
Outro ponto forte é a disponibilidade para falar sobre a relação. Onde outros preferem calar, tu levantas os temas importantes. Quando a ansiedade baixa, esta abertura torna-se a base de uma proximidade honesta e profunda.
A armadilha «ansioso + evitante»
Uma das combinações mais frequentes e mais desgastantes é a de um par ansioso com um evitante. Sentem-se atraídos um pelo outro: o ansioso é atraído pela calma e pela independência, o evitante pelo carinho e pela iniciativa.
Mas, com o tempo, arranca um ciclo. Quanto mais um pede proximidade – escrever mais vezes, passar os fins de semana juntos, falar do futuro –, mais o outro quer afastar-se. E quanto mais o par evitante se afasta, mais alto se tornam os pedidos do ansioso.
O cenário é conhecido: mandas a terceira mensagem seguida, o par responde horas depois, curto e seco, à noite há uma discussão, seguida de vários dias de silêncio. Depois a reconciliação – e tudo outra vez.
Num casal assim, ninguém tem culpa: cada um defende-se da forma habitual. É possível sair do ciclo se ambos o virem e combinarem regras – por exemplo, quanto tempo é preciso para uma pausa e quando voltam à conversa.
O que ajuda
Primeiro – dizer a necessidade diretamente. Em vez de esperares que o par adivinhe, ou de testares a reação com indiretas, podes dizer: «Fico mais tranquilo(a) quando me mandas duas palavras durante o dia. Consegues?» Um pedido direto funciona muitas vezes melhor do que ficar magoado(a).
Segundo – aprender a acalmar-te. Quando a ansiedade aperta, ajuda fazer uma pausa antes de agir: esperar dez minutos antes de mandar mais uma mensagem, respirar, ir dar uma volta, escrever os pensamentos num papel. A ansiedade é como uma onda: desce, mesmo que não faças nada.
Terceiro – não te apoiares só no par. Amigos, passatempos, desporto, um trabalho de que gostas tornam a vida mais estável e reduzem a sensação de que tudo depende de uma só pessoa.
Quarto – escolher pares seguros. Às vezes, uma pessoa calma, que responde a tempo e cumpre a palavra, parece «aborrecida» comparada com alguém que ora se aproxima, ora desaparece. Mas é precisamente ao lado de um par previsível que a vinculação ansiosa se vai suavizando.
Quando vale a pena procurar um psicólogo
A vinculação ansiosa não é uma doença, e muitas pessoas aprendem a lidar com ela por si próprias. Mas há situações em que o apoio de um especialista torna o caminho bem mais leve.
Vale a pena pensar numa consulta com um psicólogo se a ansiedade na relação te impede de dormir, trabalhar ou aproveitar outras coisas. Ou se reparas que acabas vezes sem conta em relações parecidas – com pessoas que te mantêm à distância – e não percebes como sair deste guião.
O psicólogo não «corrige» o tipo de vinculação: ajuda a perceber de onde vêm as reações e a encontrar novas formas de lidar com elas. Para muitas pessoas, a própria experiência de uma relação em que se pode falar dos sentimentos sem medo de ser julgado torna-se um apoio importante.
Podes começar pelo nosso teste: 24 perguntas, cerca de 10 minutos, gratuito e sem registo. O resultado vai ajudar-te a conhecer-te melhor, e o que fazer a seguir é decisão tua.
Artigos relacionados
Fazer o teste gratuito – 10 minutos