Apego temeroso-evitativo: análise completa
Você quer proximidade e, ao mesmo tempo, tem medo de recebê-la – "vem cá, vai embora".
O apego temeroso-evitativo combina uma forte necessidade de proximidade com um medo igualmente forte dela. Vamos ver como isso aparece e o que ajuda a viver com mais tranquilidade.
Sinais
A principal marca desse tipo é uma contradição interna. Você quer alguém por perto, que entenda e aceite você, mas assim que o relacionamento fica mais próximo surge a vontade de se fechar ou fugir.
Na vida, isso pode aparecer assim. Depois de uma noite gostosa a dois, no dia seguinte você não responde as mensagens. E quando é o par que mantém distância, vem uma ansiedade forte e a vontade de recuperar a proximidade a qualquer custo.
Confiar é difícil. Mesmo que o par seja cuidadoso, lá no fundo fica a expectativa de que algo vai dar errado: "Agora está tudo bem, mas logo vai doer". Elogios causam constrangimento, e o cuidado pode deixar você com um pé atrás.
O clima do relacionamento muitas vezes muda em ondas: fases de proximidade intensa dão lugar a frieza e distanciamento. Às vezes nem você consegue explicar por que ontem queria estar junto e hoje quer ficar longe.
Por que este é o tipo mais contraditório
No modelo de apego há duas escalas: ansiedade, ou seja, medo de rejeição, e evitação, ou seja, desconforto com a proximidade. No tipo seguro as duas são baixas; no ansioso, só a ansiedade é alta; no evitativo, só a evitação. No temeroso-evitativo, as duas escalas são altas.
Isso significa que duas estratégias opostas funcionam ao mesmo tempo dentro da pessoa. Uma diz: "Fique perto, senão vão te deixar". A outra: "Não deixe chegar perto demais, senão vai doer". Daí a fórmula "vem cá, vai embora".
Essa combinação costuma se formar quando, na infância, as pessoas próximas eram ao mesmo tempo fonte de carinho e fonte de tensão. A criança queria se aproximar delas e, ao mesmo tempo, sentia ansiedade perto delas. A mente encontrou a única saída disponível – querer proximidade e temê-la ao mesmo tempo.
Importante: isso não é estar "quebrado(a)". É uma estratégia complexa, mas compreensível, que um dia ajudou a lidar com um mundo imprevisível.
Como aparece nos relacionamentos
O começo do relacionamento pode ser muito intenso. Atração forte, conversas até de manhã, a sensação de ter finalmente encontrado "a pessoa certa". Mas, à medida que o vínculo se fortalece, cresce também a tensão interna.
Em algum momento surge a vontade de cortar tudo: arranjar um motivo para brigar, parar de responder, começar a duvidar do par. Se o par se afasta em resposta, bate o medo da perda, e você volta a se aproximar.
As brigas podem ser imprevisíveis tanto para você quanto para o par. Às vezes você quer, ao mesmo tempo, receber um abraço e ser deixado(a) em paz. Por isso fica difícil dizer do que precisa – e o par fica perdido.
Com o tempo, essa gangorra cansa os dois. Às vezes, quem tem esse tipo passa muito tempo sem se relacionar – não porque não queira, mas porque assim é mais tranquilo. Ou, ao contrário, escolhe relações em que a proximidade real é impossível desde o início, como à distância.
O que ajuda
Primeiro: aprender a perceber qual das duas estratégias está ativa agora. É a ansiedade ("vão me deixar") ou a evitação ("está perto demais")? Só de entender isso já fica mais fácil não agir no automático.
Segundo: desacelerar. O relacionamento não precisa avançar rápido. Vocês podem se ver menos, mas com regularidade, você pode conhecer os amigos do par quando estiver pronto(a) e não apressar decisões importantes. Um ritmo tranquilo diminui tanto o medo da perda quanto o medo de se dissolver no outro.
Terceiro: falar dessa sua característica com antecedência, enquanto está tudo calmo. Por exemplo: "Às vezes preciso me afastar, isso não quer dizer que estou indo embora de vez. Se eu sumir por um dia, é só me mandar uma mensagem à noite". Um acordo assim ajuda o par a não levar a gangorra para o lado pessoal.
Quarto: escolher pessoas calmas e seguras e dar a si mesmo(a) tempo para se acostumar com elas. No início, essa estabilidade pode parecer estranha ou até sem graça, mas é justamente nela que a confiança vai surgindo.
Quinto: ter carinho consigo nos momentos de gangorra. Em vez de se cobrar com "estraguei tudo de novo", você pode dizer a si mesmo(a): "Agora estou com medo, e isso vai passar".
Quando vale contar com um psicólogo
O tipo temeroso-evitativo está ligado a vivências profundas e antigas, e lidar com elas sozinho(a) pode não ser fácil. Isso não significa que há algo de errado com você. Só que alguns nós são mais fáceis de desatar com a ajuda de um profissional.
O trabalho com um psicólogo pode ser uma boa opção se a gangorra no relacionamento está esgotando você, se você percebe que corta o vínculo repetidamente quando a coisa fica séria, ou se lembranças antigas aparecem com frequência e atrapalham o presente.
Nas sessões, dá para explorar num ritmo seguro de onde vêm as reações e viver uma experiência nova: falar de si e ver que você é ouvido(a) e não rejeitado(a). Para muita gente, a própria relação com o profissional se torna o primeiro exemplo de uma proximidade em que não é preciso escolher entre "se aproximar" e "se defender".
Você pode buscar apoio aos poucos: começar com uma consulta e ver se aquela pessoa e a abordagem dela combinam com você. Você tem o direito de escolher e de trocar de profissional – isso também faz parte de cuidar de si.
Se, para começar, você quer entender melhor seu estilo, faça nosso teste: 24 perguntas, cerca de 10 minutos, grátis e sem cadastro.
Artigos relacionados
Fazer o teste grátis – 10 minutos